Por que partir?

•maio 3, 2008 • 3 Comentários

Demorei anos até soltar as amarras. Saí do conforto de casa, da rotina tão esperada e vazia e deixei de lado algumas referências até que enfim…parti. Com o coração sobressaltado, mas com uma certeza inexplicável de que fazia a coisa certa…parti.

Ninguem me pediu pra fazer o Caminho. Só eu escutei “o Chamado”. Foi audível só pra mim. Segui minha voz e…parti.

Depois de duas vezes no Caminho e sempre planejando muitas próximas, sei exatamente por que parti. Fui por um determinado motivo mas descobri muitos outros lá.

Não vou parar de caminhar. Amo o Campo das Estrelas!

É como se fosse a única coisa decente que fiz na vida. Flar do Caminho é para mim como reafirmar meus valores.

Passou a fazer parte de mim e eu, parte dele. Derramei minhas lágrimas e meu suar. Deixei meu sorriso e meu amor. Dividi um abraço e uma dor. Assim é o Caminho. Como a vida, condensada naqueles 800km. Mas está ali, latente, esperando por cada um nós. Esperando que lá pisemos. Esperando para aflorar em nós.

O Caminho não termina em Santiago. O Caminho continua. Tenho certeza disso.

Fica a ti, Caminho de Santiago, o meu agradecimento profundo e comovido, por ser um instrumento de amor e de conhecimento. Que tu, Caminho, continue nos engrandecendo. Nos fazendo mergulhar em direção a nós mesmos. Que tu, faça-nos sempre renascer, como a Fênix. Que tu, continue, através da Cruz de Ferro, da Catedral, do Alto do Perdão, de Eunate, dos Pirineus, do Cebreiro e de todo o teu corpo, falando a linguagem de Deus. Sendo mais um exemplo vivo do sincronismo do universo e que faças sempre, mas sempre que for necessário, através de ti, os Caminhos se Encontrarem. Porque nada, mas decididamente nada é tão forte, como QUANDO DOIS CAMINHOS SE ENCONTRAM!

 

•abril 29, 2008 • 2 Comentários

A Compostelana ou Compostela é o certificado, escrito em latin, fornecido pela Oficina dos Peregrinos, em Santiago de Compostela, que comprova a sua peregrinação até a Catedral.

Muitos peregrinos, exibem-na como um verdadeiro troféu. Concordo que seja. Mas seria o mais importante de todos? Se não houvesse esse certificado ao fim, o Caminho perderia sua magia ou seu brilho?

Para mim, sinceramente, o Caminho é o Caminhar. Chegar a Santiago é maravilhoso, mas o que se vive, se aprende e se cresce, é ao longo do Caminho.

E você? O que acha?

Codex Calixtinus

•abril 24, 2008 • Deixe um comentário

O códice miniado conhecido em latim como Liber Sancti Jacobi ou Codex Calixtinus é um conjunto de textos reunidos em Santiago de Compostela nos anos finais do arcebispado de Diego Gelmírez e que se apresentava como da autoria do Papa Calisto II.

O códice consiste num conjunto de textos anteriores de caráter litúrgico, histórico e hagiográfico que visava a servir como promoção da sé apostólica de Santiago de Compostela, ideado pelo arcebispo Gelmírez ou pelo seu círculo próximo e redigido por vários autores entre 1130 e 1160 e que se caracteriza pela correição do latim empregado e com um alto valor literário.
O exemplar mais antigo, datado entre 1150 e 1160, conserva-se na Catedral de Santiago de Compostela e é cópia de um exemplar modelo. A cópia que realizou o monge Arnaldo de Monte em 1173 conhece-se como manuscrito de Ripoll e conserva-se atualmente em Barcelona.

O Códice Calixtino divide-se em cinco livros e compõe-se de 225 fólios a dupla cara de 295 x 214 mm, cada fólio contém, pelo geral, uma única coluna de 34 linhas. O manuscrito restaurou-se em 1966 e voltou-lhe acrescentar o Livro IV que estava fora do manuscrito desde 1609.

O Códice Calixtino imprimiu-se pela primeira vez em 1882, numa edição feita por Fidel Fita.
Parte do manuscrito traduziu-se ao galego no primeiro terço do século XV, conhecido como Milagres de Santiago, recolhe partes da História Karoli e da Guia do Peregrino

História do Caminho

•abril 23, 2008 • Deixe um comentário

 

Os Caminhos de Santiago são os percursos percorridos pelos peregrinos que afluem a Santiago de Compostela desde o Século XIX. Estes são chamados de Peregrinos, do latim “Per Agros”, “aquele que atravessa os campos”. Têm como seu símbolo uma concha, normalmente uma vieira designada localmente por “venera”, costume que já vinha do tempo em que os povos ancestrais peregrinavam a Finisterra.

Os caminhos espalham-se por toda a Europa e vão todos desaguar aos caminhos franceses que posteriormente se ligam aos espanhóis, com excepção das várias vias do Caminho Português, que têm origem a sul, e do Caminho Inglês que vinha do norte.

O Caminho de Santiago entrou na história há doze séculos, quando foram encontrados os restos mortais do apóstolo, São Tiago, Santiago, na que hoje é a cidade de Santiago de Compostela.

Esta rota une diversas zonas da Europa a Compostela e foi seguida por milhões de pessoas das mais variadas procedências. O itinerário mais famoso é o Caminho Francês, que se dirige a Santiago atravessando o nordeste de Espanha, mas existem outros percursos não menos importantes vindos de Portugal, do sul de Espanha que atravessava a cidade portuguesa de Chaves, e do oeste e norte da Europa por via marítima.

O chamado Caminho Francês, que absorve a maioria dos caminhos vindos do continente europeu se juntam para entrar na Península Ibérica, entra na Espanha por Roncesvalles, no sopé dos Pirenéus, e de lá segue em cerca de 800 km até chegar a Santiago de Compostela.

O Caminho de Santiago atingiu o máximo esplendor nos séculos XI e XII, e depois após a contra-reforma no ínicio do século XVII por Portugal. Nas últimas décadas voltou a ganhar protagonismo, sendo convertido num itinerário espiritual e cultural de primeira ordem. Foi declarado Primeiro Itinerário Cultural Europeu (1987) e Património da Humanidade na Espanha (1993) e França (1998).

•abril 22, 2008 • 2 Comentários

E há como não chorar?

E você? O que sentiu? Chorou?

O primeiro passo!

•abril 17, 2008 • 6 Comentários

 

 

 

 

 

 

 

Parti de St. Jean Pied Port já por duas vezes. Em ambas me senti transportado para um mundo singular nos 800km que a separam de Santiago de Compostela. Cruzar o portal peregrino, descer a ladeira de pedras, atravessar a ponte e seguir, passo a passo em direção à Catedral é uma emoção fascinante. Um turbilhão. Uma catarse.

Diga aqui o que sentiu…

Diga aqui o viveu dando o “seu” primeiro passo.

Existe melhor refúgio?

•abril 17, 2008 • 2 Comentários

Existe refúgio melhor que outro no Caminho? E qual o conceito de melhor?

Melhor seria aquele que tem as melhores instalações? Melhor seria aquele que tem a melhor hospitalidade? Ou seriam os mais bonitos arquitetonicamente falando?

Qualquer um desses critérios, agrega consigo subjetividade e mostra que assim como a vida, o Caminho é visto por cada um de nós conforme o nosso interior, como se fosse um espelho.

E você? O que acha? Qual sua opinião?

Pra mim, Eunate foi maravilhoso, por uma vivência única que lá experiemntei. Mas o Caminho é assim. Cheio de nuances individuais e graças a Deus, livre…muito livre…para caminhar, para sentir, para viver!